terça-feira, outubro 24, 2017

Como Estaline deportava os ucranianos: operação “Zapad”

70 anos atrás, no fim de outubro de 1947 na Ucrânia começou a operação soviética chamada “Zapad”. A ação consistia em deportação da Ucrânia Ocidental mais de 76.000 pessoas, acusados unicamente de serem “desleais para com o poder soviético”. Os ucranianos eram levados à Sibéria e Cazaquistão e deixados lá, praticamente ao céu aberto.

No decorrer de um dia (!), mais de 76 mil pessoas foram deportados à força para enfraquecer o movimento de libertação [nacional] ucraniano. Mesmo após o fim da guerra mais sangrenta, a Segunda Guerra Mundial, as forças punitivas do Estaline continuaram a aterrorizar o nosso povo com repressão e deportação, mas não conseguiram destruir o seu espírito livre. Lembraremos. Sejamos fortes”, escreveu presidente ucraniano Petró Poroshenko em sua página do Facebook.

Preparações para a deportação

Em 10 de setembro de 1947, o Conselho de Ministros da União Soviética aprovou um decreto “Sobre o despejo das regiões ocidentais da Ucrânia Soviética às províncias de Karaganda, Arkhangelsk, Vologda, Kemerovo, Kirov, Molotov, Sverdlovsk, Tyumen, Chelyabinsk, os membros das famílias [dos membros da] OUN e bandidos ativos, presos e mortos em combates”.
De facto, o governo soviético planeava retirar da Ucrânia, todos aqueles que defendiam o modelo de uma Ucrânia não-soviética. Prestem atenção à um detalhe importante no título do decreto – a frase “os membros das famílias”. De facto, as famílias de todos os que participaram na resistência anti-soviética se tornavam responsáveis ​​por actos que eles próprios não cometeram. Filha ou filho do “inimigo do povo”? Serão deportados à Sibéria! Uma clássica violação da “legalidade socialista”, cometida pelo estado soviético.

No outono de 1947, em Lviv, Drohobych, Rivne, Chortkiv, Kolomyia e Kovel, foram criados pontos de recepção de famílias de “nacionalistas”, entregues pela MGB e o seu envio aos assentamentos especiais (de facto, aos campos de concentração). Ao cada centro de recepção (eram seis no total) foram alocados quadros de funcionários, compostos por um chefe, o vice-chefe para área operacional, um chefe de segurança e nove vigias.

Para Sibéria nos vagões de gado

Em outubro de 1947, o tenente-general da MGB, Ryasnoy, aprovou o chamado “Plano de Medidas do Ministério do Interior da RSS [república socialista soviética da] Ucrânia para o transporte de deportados especiais das regiões ocidentais da RSS da Ucrânia”. Primeiro, de acordo com este plano, se planeava deportar 25 mil famílias com uma população total de até 75 mil pessoas, mas logo o MGB soviético aumentou a “quota” para 100 mil. Petró Poroshenko se referia aos “mais de 76 mil”, mas alguns historiadores falam em 150 mil pessoas, com base em dados da resistência anti-soviética ucraniana.
O estado-maior do MGB começou à operar na cidade de Lviv em 15 de outubro de 1947, recebendo os operacionais, vindos das regiões leste da Ucrânia, com patentes no mínimo de capitão, nomeados os comandantes de comboios/trêm. Ao pedido do MGB, em 15 de outubro de 1947, o CC da CP (b) da Ucrânia e o Conselho de Ministros da RSS da Ucrânia adotaram um decreto secreto “Sobre o procedimento do uso de terra e propriedade deixada após a deportação de famílias de nacionalistas e bandidos”. De facto, este decreto permitia a pilhagem legal dos bens dos ucranianos visados. Uma pessoa sem nenhum julgamento ou investigação era declarada como “bandido”, essa pessoa era fuzilada ou deportada, e a sua família era roubada.

A operação “Zapad” começou em 21 de outubro, às 6 da manhã, comandada pelo vice-ministro do Interior da Ucrânia soviética, Dyatlov. Em 24 horas foram deportadas 26.644 famílias, um total de 76.192 pessoas: 18.866 homens, 35.152 mulheres e 22.174 crianças. Os esperavam, os trabalhos forçados nas minas e kolkhozes da Sibéria. Toda a sua propriedade foi saqueada e entregue aos kolkhozes nas suas áreas de residência na Ucrânia. Os deportados eram chamados pela propaganda soviética de “kulaks”, os “ricaços contra-revolucionários” e “inimigos do povo trabalhador”, mas até mesmo as estatísticas soviéticas, por exemplo, na área de Drohobych comprova que essas pessoas tinham uma (!) vaca por cada família, apenas ¼ deles – um par de cavalos, apenas um 1/3 - um porco e poucos tinham arados e outra ferramenta agrícola. Como “inimigos do povo trabalhador” foram designados camponeses comuns, após disso eles foram deportados para a Sibéria.

«Amizade dos povos num país de felicidade geral»

Após a abertura dos arquivos ucranianos do KGB, surgiram vários detalhes e documentos interessantes sobre as ações do poder soviético na Ucrânia. Na URSS, constantemente se falava sobre “amizade de povos que coexistem de forma pacífica e feliz no território da URSS”, mas os documentos mostram claramente como exatamente essa “amizade” foi criada – o cidadão era “amigo” quando compartilhava completamente todas as doutrinas e ordens criadas pelo sistema soviético, caso contrário a pessoa era declarada como inimigo, nacionalista, “seguidor do Bandera” e sujeito à destruição.

Extrato do relatório final sobre a preparação, execução e os resultados da operação “Zapad” no território da região de Lviv. Aqui, para fortalecer a “amizade dos povos”, os ocupantes soviéticos precisaram de 5.344 soldados:

Extrato do relatório final sobre a operação “Zapad” na região de Rivne, aqui o curso de fortalecimento da “amizade dos povos” é anotado literalmente por cada hora – como exatamente a essa “amizade” se fortaleceu às 10, 12, 14 e 16 horas no dia 21 de outubro de 1947 (foram deportadas 3.320 famílias ou 11.568 pessoas).

Declaração sobre o número de famílias deportadas das regiões ocidentais da Ucrânia – os que “contrariavam a amizade dos povos” (25.299 famílias ou 75.500 pessoas).

“TRABALHO POLÍTICO JUNTO ÀS POPULAÇÕES”

No período preparatório, entre a população local, foram realizadas conversas e apresentados as palestras sobre os temas:
a) O que o poder soviético deu aos camponeses trabalhadores?
b) Sobre a implementação do plano de colheita de produtos agrícolas.
c) Quem são os nacionalistas ucranianos.
d) O caminho do kolkhoze é o único caminho certo para os camponeses.
e) Regulamentos sobre as eleições aos conselhos locais da RSS de Ucrânia”, etc.

Como resultado do trabalho realizado, em várias aldeias foi organizada a entrega adicional da batata ao estado [soviético]”.

Bem, seus faxistas, agora já querem a nossa amizade dos povos?
Vocês vão querer.

O perfil das vítimas

Quem sofreu no decorrer da operação “Zapad”? As autoridades soviéticas deportavam os mais ativos – aqueles que não concordaram, não queriam tolerar a injustiça e pobreza, que ousava discutir e ter a sua própria posição. Permaneceram aqueles que concordaram com tudo, que preferiram não interferir, não para discutir com as autoridades, para não se revelar – mais tarde, muitos deles formaram o tal “povo soviético”, obediente e sem iniciativa, endeusando os líderes e não tendo sua própria opinião.
De facto, a deportação de ucranianos pelas autoridades soviéticas não era assim diferente da mesma deportação aos trabalhos forçados, organizada pela Alemanha nazi alguns anos antes. A única diferença é que os alemães atuais ouvem com horror esses relatos, cobrindo a cabeça com cinzas pelos crimes dos seus avós, enquanto os admiradores modernos da URSS se orgulham dos actos do passado, escrevem que “pouco levaram estes ucranianos!” e, ocasionalmente prometem que “podem repetir”.

No total, até 1 de janeiro de 1953, as 175.063 pessoas estavam em assentamentos especiais, deportados das regiões ocidentais da Ucrânia durante as deportações de 1944-1952, muitos deles, organizavam as rebeliões contra os seus opressores comunistas mesmo nos novos locais da sua habitação.

Recordem estes factos aos fãs da URSS que vão vós contar sobre “o saboroso e barato sorvete soviético” e a sua medicina gratuita.

Fotos @Internet | Documentos @Arquivo do SBU | Texto @Maxim Mirovich

segunda-feira, outubro 23, 2017

Por que Putin quer controlar Ucrânia? Pergunte ao Estaline.

A atitude da Rússia tem raízes na revolução [bolchevique] – e na fome [Holodomor] que matou 13% dos ucranianos, explica a historiadora e escritora americana, prémio Pulitzer, Anne Applebaum, no seu mais recente artigo no Washington Post.

Em fevereiro de 2014, homens vestidos de camuflado, dirigindo camiões/caminhões blindados e carregando armas militares surgiram da base militar russa em Sebastopol e começaram a circular pela província ucraniana da Crimeia. Em poucas horas, haviam ocupado sedes de conselhos municipais e estações de televisão. Em poucos dias, eles cooptaram bandidos e criminosos locais para criar um governo provisório. Eles realizaram um referendo fortemente controlado e anunciaram que os moradores da região queriam pertencer à Rússia.

Enquanto isso se desenrolava, os porta-vozes russos, os jornalistas e os trolls da Internet deliberadamente envolveram a invasão numa grossa nuvem de falsidade. A anexação foi descrita como uma revolta contra “nazis” e “fascistas” em Kyiv, que haviam organizado um “golpe de estado”; de facto, o presidente pró-russo da Ucrânia havia fugido do país depois de pedir que suas tropas disparassem contra pessoas que se manifestavam contra seu governo cada vez mais corrupto e autoritário. O presidente russo, Vladimir Putin, deu discursos emotivos e anunciou a anexação da Crimeia em março [de 2014]. Seguiu-se uma campanha de vitoria hiper-patriótica elogiando a aquisição da “nossa Crimeia” (Krym nash).

No exterior, a puxada para controlar a Crimeia e o resto do leste da Ucrânia levantou alarmes: esta foi a primeira vez desde 1945 que uma fronteira europeia havia sido alterada pela força. Mas dentro da Rússia, o ato foi [considerado] como um curso de eventos perfeitamente sensato, consistente com quase um século de fobias contra Ucrânia. Profundamente embutido na consciência nacional russa está o conhecimento da sede de autonomia dos ucranianos, a conscientização da imprevisibilidade da Ucrânia – e um velho medo de que as demandas ucranianas possam se espalhar na Rússia.

Em 2014, as autoridades russas olharam com pavor aos jovens acenando as bandeiras europeias e pedindo a democracia na praça Maydan de Kyiv e estavam determinados a garantir que esse movimento nunca se espalhasse na própria Rússia: um protesto em massa contra a corrupção – particularmente aquele que termina com a ocupação do palácio do ditador – é o que os oligarcas corruptos da Rússia temem mais. Putin testemunhou exatamente esse tipo de “caos” quando era um jovem oficial da KGB em Dresden em 1989, quando a queda do Muro de Berlim o atingiu como algo catastrófico. Agora ele culpa os protestos contra si, os chamando de “agentes estrangeiros” e da Hillary Clinton.

Mas a necessidade de controlar a Ucrânia também tem raízes importantes na memória histórica da Rússia e dos KGB's. A turbulência na Ucrânia atinge os botões de pânico, porque a anarquia no coração agrícola da União Soviética quase desestabilizou Moscovo mais de uma vez. Talvez a melhor maneira de explicar a paranóia de Putin e a cobiça em relação a Kyiv é a seguinte: a Rússia lembra bem esses momentos.

O mal-estar russo em relação à Ucrânia volta ao início de [criação] da União Soviética, em 1917, quando os ucranianos tentaram, pela primeira vez, criar seu próprio estado. Durante a guerra civil que seguiu as revoluções em Moscovo e Kyiv, os camponeses ucranianos – radicais, de esquerda e forças anti-bolchevique de uma só vez – rejeitaram a imposição do domínio soviético. Eles empurraram o Exército Vermelho [fora da Ucrânia] e, por um tempo, obtiveram a vantagem. Mas na anarquia que se seguiu ao retiro do Exército Vermelho, os exércitos polacos/poloneses e o exército branco [monárquico] czarista voltaram à Ucrânia. O general branco, Anton Denikin, cruzou a Rússia e chegou à uma distância de 200 milhas / 322 km de Moscovo, quase terminando a revolução antes que ele realmente começasse.

Os bolcheviques se recuperaram – mas ficaram surpresos. Durante anos, eles falaram obsessivamente sobre a “cruel lição de 1919”. Uma década depois, em 1932, Estaline teve motivos para se lembrar dessa lição. Naquele ano, a União Soviética estava mais uma vez em tumulto, após sua desastrosa decisão de coletivizar a agricultura. À medida que a fome começou a se espalhar, ele ficou alarmado com as notícias de que os membros do Partido Comunista da Ucrânia se recusavam a ajudar na requisição, pelo Moscovo, de cereais dos camponeses ucranianos famintos. “Eu não quero aceitar esse plano. Não irei executar este plano de requisição de grãos”, reportava um informante o discurso de um membro do PC antes de “colocar o seu cartão do [membro] do partido na mesa e sair da sala”.


Estaline enviou uma carta fervescente aos colegas [do partido]: “O principal, agora, é a Ucrânia. As coisas na Ucrânia são terríveis... Se não fizermos um esforço agora para melhorar a situação na Ucrânia, podemos a perder”. Ele lembrou o movimento nacional ucraniano e as intervenções do exército polaco e branco. Está na hora, ele declarou, fazer da Ucrânia uma “verdadeira fortaleza da URSS, numa verdadeira república exemplar”. Para isso, eram necessárias táticas mais severas: “Lenine estava certo em dizer que uma pessoa que não tem a coragem de nadar contra a corrente quando necessário não pode ser um verdadeiro líder bolchevique”.

Essas táticas mais severas incluíram a colocação nas listas negras de muitas vilas e aldeias ucranianas, que estavam proibidas de receber produtos manufaturados e alimentos. Eles também proibiram os camponeses ucranianos de sair da república e criaram as barreiras entre vilas e cidades, evitando a migração interna. Equipas de ativistas chegavam às aldeias ucranianas e confiscavam tudo o que comestível, não apenas trigo, mas também batata, beterraba, abóbora, feijão, ervilhas, animais de kolkhozes e até mesmo animais de estimação. Eles procuraram celeiros e armários, destruíam as paredes e fornos abertos, procurando comida.


O resultado foi uma catástrofe humanitária: pelo menos 5 milhões de pessoas morreram de fome entre 1931 e 1934 em toda a União Soviética. Entre eles estavam quase 4 milhões (de 31 milhões de ucranianos), e eles morreram não por negligência ou falha na colheita, mas porque seus alimentos foram confiscados. A taxa de mortalidade geral foi de 13%, mas atingiu 50% em algumas províncias. Aqueles que sobreviveram, o conseguiram comendo relva/grama e insetos, sapos e rás, couro de sapato e folhas. A fome levou as pessoas à loucura: as pessoas anteriormente respeitadoras da lei cometiam roubos e assassinatos para comer. Houve incidentes de canibalismo, que a polícia observou, registou e enviou [os dados] às autoridades em Moscovo, que nunca responderam. (Em reconhecimento de sua escala, a fome de 1932-33 é conhecida na Ucrânia como o Holodomor, uma palavra derivada das palavras ucranianas de fome, “holod” e de extermínio, “mor”).

Após a fome, Estaline lançou uma nova onda de terror. Escritores ucranianos, artistas, historiadores, intelectuais – qualquer pessoa com ligação aos governos ou exércitos nacionalistas de 1917-1919 – era presa, enviada ao GULAG ou executada.

Seu objetivo não era um mistério: queria esmagar o movimento nacional ucraniano e garantir que Ucrânia nunca mais se rebelaria contra o estado soviético. Ele falou obsessivamente sobre a perda de controlo porque ele sabia que outra revolta ucraniana poderia frustrar o projeto soviético, não só por privar a URSS de grãos, mas também por aniquilando a sua legitimidade. Ucrânia tinha sido uma colónia russa há séculos; as duas culturas permaneceram estreitamente entrelaçadas; as línguas estavam intimamente relacionadas.

Se a Ucrânia rejeitar a ideologia soviética e o sistema soviético, Estaline temeu que a rejeição possa levar à queda de toda a União Soviética. A rebelião ucraniana poderia inspirar georgianos, arménios ou tajiques. E se os ucranianos pudessem estabelecer um estado mais aberto e mais tolerante, ou se eles pudessem se orientar, como muitos quisessem, em direção à cultura e aos valores europeus, então por que muitos russos não desejariam o mesmo?

Como Putin muitas décadas depois, os bolcheviques fizeram grandes esforços para ocultar a verdadeira natureza de sua política na Ucrânia. Durante a guerra civil, eles dissimulavam o Exército Vermelho como um “movimento soviético da libertação ucraniana”. Estaline – comissário de nacionalidades na época – criou os mini-estados fantoches nas províncias ucranianas, destinados a minar o governo ucraniano em 1918, bem como a “república popular de Donetsk” procura diminuir, de alguma forma, o governo ucraniano hoje.

Na sequência da fome de 1932-133, um apagão de drástico de informações foi imposto. A morte de milhões foi encoberta e negada. Era ilegal mencionar a fome em público. Foi dito aos funcionários que alterassem as causas da morte em documentos públicos. Em 1937, um censo soviético que revelou muitas pessoas desaparecidas na Ucrânia e em outros lugares foi reprimido; os chefes do gabinete do censo foram fuzilados. Os jornalistas estrangeiros foram pressionados a ocultar a fome, e com poucas exceções, a maioria cumpriu.


Claro que os paralelos não são exatos: a Rússia de Putin não é a União Soviética de Estaline. Ainda assim, mais de 80 anos após a fome e mais de duas décadas após o colapso da União Soviética, a relação entre a Rússia e Ucrânia completou o círculo completo. Mais uma vez, um líder russo fala obsessivamente sobre a “perda” da Ucrânia. Mais uma vez, um regime baseado em Moscovo vê o movimento nacional ucraniano como uma ameaça interna existencial. E, mais uma vez, Moscovo chegou aos extraordinários esforços para afastar o desafio ucraniano. Como em 1932, a constante conversa sobre “guerra” e “inimigos” na Ucrânia continua a ser útil aos líderes russos que não conseguem explicar os padrões de vida estagnados [dos cidadãos russos] ou justificar os seus próprios privilégios, riqueza e poder.

Mas a história oferece esperança, assim como e tragédia. No final, a fome [Holodomor] fracassou: Ucrânia não foi destruída. O terror contra a elite ucraniana também falhou: a língua ucraniana não desapareceu. O desejo de independência persistiu, assim como o desejo de democracia, ou uma sociedade mais justa, ou um estado ucraniano que realmente representava ucranianos. Quando se tornou possível, os ucranianos expressaram esses desejos. Em 1991, eles votaram esmagadoramente pela independência [mais de 90%]. Ucrânia, como proclama o seu hino nacional, não morreu.

No final, Estaline também falhou. Uma geração de intelectuais e políticos ucranianos foi assassinada na década de 1930, mas seu legado sobreviveu. A aspiração nacional foi revivida na década de 1960; continuou na clandestinidade nas décadas de 1970 e 1980; tornou-se viva novamente na década de 1990. Uma nova geração de intelectuais e ativistas ucranianos apareceu na década de 2000.

Se a Rússia de Putin não é a União Soviética de Estaline, Ucrânia moderna também não é a República Soviética da Ucrânia. É um estado soberano, com seus próprios líderes civis e seus próprios políticos, sua própria imprensa e seu próprio exército. Acima de tudo, os ucranianos agora podem escrever sua história e decidir por si mesmos se esse ciclo de violência finalmente chegue ao fim.

Ler texto original em inglês | tradução ao português @Ucrânia em África
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Blogueiro: geralmente as pessoas dominadas pelo sentimento anti-ucraniano e com a forte vontade de rejeirar Holodomor, pedem duas coisas: as fotos e as fontes credíveis que confirmassem o genocídio. Como sempre, recomendamos a leitura do trabalho fundamental sobre Holodomor da autoria do jurista e estudioso polaco-americano Raphael Lemkin, chamado SOVIET GENOCIDE IN THE UKRAINE (1953). 
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domingo, outubro 22, 2017

Plágio soviético cinematográfico: The Rogue Song (1930) vs Kidnapping, Caucasian Style (1967)

A “cortina de ferro” que cercava União Soviética, favorecia, de certo modo, a sua classe criativa, alinhada com o regime. Os compositores copiavam as canções ocidentais, os estilistas as roupas, os cineastas os filmes. Quem irá saber o que se passava na pátria dos “operários e camponeses”?..

Em 1930, o realizador norte-americano Lionel Barrymore, produziu The Rogue Song (Amor de Zíngaro (título no Brasil) ou A Canção do Bandido (em Portugal)), uma tragicomédia do género musical, estrelada por Lawrence Tibbett e Catherine Dale Owen.
Na foto são os atores americanos (de esquerda à direita): Stan Laurel (Ali-Bek); Lawrence Tibbett (bandido romântico Yegor) e Oliver Hardy (Murza-Bek). O trama se gira ao torno de uma jovem mulher, raptada algures no Cáucaso e o seu amor-ódio impossível ao chefe dos seus raptores.
37 anos depois, em 1967, na União Soviética fez o enorme sucesso (visto por 76,54 milhões de espetadores) a comédia do realizador Leonid Gaidai, chamada A prisioneira do Cáucaso ou as Novas aventuras do Shúrik (título internacional em inglês: Kidnapping, Caucasian Style).
Na foto são os atores soviéticos (de esquerda à direita): Yuri Nikulin (Parvo); Yevgeny Morgunov (Habilidoso) e Georgy Vitsin (Medroso). O trama se gira ao torno de uma jovem mulher, «estudante, membro da Komsomol, desportista e finalmente, uma beleza!», raptada algures no Cáucaso e o seu ódio aos seus raptores.
O desenrolar da história, o “interior da trama” são realmente diferentes, mas parece mais de que evidente que as personagens dos bandidos patetas foram simplesmente plagiados pelo Gaidai e a sua equipa de guionistas.

Mais uma vez, quem é que irá saber o que se passava na pátria dos “operários e camponeses”?..

sábado, outubro 21, 2017

O terrorista russo abandonado será julgado na Ucrânia

O terrorista e mercenário russo Victor Ageev capturado na Ucrânia em combate em julho de 2017, será julgado em breve na província de Luhansk. As autoridades russas “se esqueceram” do seu cidadão e aconselharam à família contar com advogado oficioso, escreve o jornal russo Novaya Gazeta.

Os materiais do caso criminal já foram entregues ao Tribunal Distrital de Novoaydarivsk, explicou a porta-voz do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), Olena Gitlianska. O julgamento de Victor Ageev pode começar nas próximas semanas.

A investigação acusa o russo capturado de criar uma organização terrorista (1ª parte do artigo 258-3 do Código Penal da Ucrânia) e manusear ilegalmente as armas (1ª parte do artigo 263 do CPU). Em ambos os casos a pena vai até 15 anos de prisão efetiva.

Juntamente com Ageeev serão julgados dois separatistas locais, residentes em Severodonetsk e Alchevsk. A acusação nota que militar do exército russo, em março de 2017 Ageev “se juntou aos grupos terroristas, onde serviu como operador de metralhadora de um pelotão especial de reconhecimento”. O próprio Ageev afirma que não se envolveu em atividades terroristas, mas confirma que serviu na dita “lnr” como um militar russo sob contrato.

A defesa do terrorista russo no decorrer do seu julgamento estará ao cargo de um advogado ucraniano oficioso, as autoridades da federação russa recusaram-se alocar os meios financeiros para a defesa paga do Ageev. A mãe do terrorista foi informada sobre essa decisão pelo consulado-geral russo em Kharkiv. “Por enquanto a opção é essa: um advogado oficioso. Como me disseram os meus diplomatas, que falaram com ele, é especialista nada mau, embora não é o nosso” (Sic!), a mãe do Ageev conta o teor da sua conversa com o vice-cônsul russo em Kharkiv, Andrei Alenkin.

O Cônsul russo prometeu seguir o caso do Ageev e deu o seu número de telefone à mãe do terrorista. “Ele disse para ligar ao qualquer momento”, conta Svetlana Ageeva e acrescenta que, ao marcar o número, ouviu o “gambigueiro e ranger” no receptor. O “telefone” que Cônsul deixou era um número de fax (Sic!). Acontece que também ninguém atende os números (listados no site oficial) do consulado russo em Kharkiv.

Em julho de 2017, juntamente com jornalista russo Pavel Kanygin, a mãe do terrorista Svetlana Ageeva recebeu a permissão da Ucrânia de visitar o seu filho na prisão de Starobelsk. Mais tarde, ela se encontrou com os Cônsules russos em Kyiv, pediu-lhes para ajudar com os serviços de um advogado pago. Como assegurou o Cônsul Ivan Zavorin, os diplomatas russos iriam levantar essa questão junto às autoridades de Moscovo.

Um mês depois, em 31 de agosto, sem receber a resposta, Svetlana Ageeva enviou uma carta à Tatyana Moskalkova, a Provedora de Justiça da Rússia, que também prometeu se envolver no caso do russo capturado. “Isso é muito importante, e se surgir algum pedido, estou pronta para visitar o nosso cidadão”, disse o Provedora na sua declaração de 25 de agosto de 2017. Ageeva pediu a Moskalkov que visitasse o terrorista detido em Starobelsk e esclarecesse a situação da procura do advogado; dois meses depois, a Provedora de Justiça não reagiu à este pedido.

Blogueiro: como costuma dizer o jornalista russo Arkady Babchenko (ele próprio veterano russo da 1ª e 2ª guerras na Chechénia): “se lembre filho, a pátria irá te trair sempre!”


Bónus


Volodymyr Zhemchugov, um ucraniano de origem russa, natural de Luhansk, ex-mineiro, empresário, desde início da guerra russo-ucraniana pertencia à resistência ucraniana na região de Luhansk, num acidente perdeu ambas as mãos e parcialmente a visão, passou quase um ano no cativeiro terrorista. Após saber do caso Victor Ageev, Volodymyr decidiu falar à mãe do mercenário russo: “Você pode ficar tranquila, onde está o seu filho, na cadeia ucraniana, ele está seguro”.

A propaganda comunista soviética nas revistas infantis (19 imagens)

A propaganda comunista soviética estava engajada na “lavagem cerebral” dos cidadãos de uma forma total e abrangente, mesmo nas revistas infantis destinadas às crianças entre 6 aos 13 anos. Hoje mostraremos a propaganda soviética de época Brejnev, publicada na revista infantil Murzilka.

02. Como regra, as primeiras páginas e a capa da revista eram dedicadas à propaganda comunista. Faziam isso, aparentemente, para que alegre antecipação de leitura da nova revista coincidir com as imagens icónicas da URSS. Estás feliz com a nova revista? Regozije-se com o 60º aniversário da revolução comunista de outubro! Para não se exceder, de tempos em tempos saíam as edições relativamente neutras, que, no entanto, também continham muitas matérias de “lavagem cerebral”.

03. Em 1977, na data redonda do golpe comunista da 1917, a propaganda da “revolução de outubro” mereceu duas capas – em outubro e em novembro; por assim dizer, de acordo com o calendário juliano e gregoriano. A edição de novembro da revista infantil é apresentada acima, a de outubro ficou assim: a pomba, o sol, a foice gigante e o martelo, a estrela vermelha, o pacote completo.

04. A propaganda era distribuída mais ou menos uniformemente ao longo do ano, numa espécie de “calendário de festas populares”, mas à maneira soviética. Na primavera, primeiro se comemorava o dia 8 de março, inevitavelmente apresentado sob o contexto político – vejam as nossas mulheres livres e iguais, podem cavar as valas e plantar as batatas em pé de igualdade com os homens! O dia 8 de março fluía suavemente ao aniversário de nascimento do Lenine, a luz de todos os tempos e de todos os povos, que, como um raio da matéria, lançou os cidadãos soviéticos através dos espinhos às estrelas.
Ao Lenine eram dedicadas várias páginas, preenchidas com os mitos da sua “vida e obra”, compostos pela viúva Krupskaya e pelo seu ex-secretário pessoal Bonch-Bruyevich.

05. No final da primavera, era celebrado o “1º de maio”, aqui também havia dogmas, mas mais variados: as crianças poderiam ser informadas sobre a opressão dos trabalhadores nos países do “ocidente decadente”, ou lhes poderiam contar sobre os amiguinhos nos países fraternais do “campo socialista”.
Então, pequeno outubrista, podes ter amiguinhos entre os pequenos comunistas do Vietname ou da Hungria, outros países — mas nem pensar!

06. O dia 1º de maio fluía à celebração do dia 9 de maio que na URSS também tinha um caráter comunista claríssimo. “Uma folha de papel em branco está novamente na mesa na minha frente, eu escrevo nela três palavras: “GLÓRIA AO PARTIDO PÁTRIO!”

07. Talvez, apenas nas edições de verão as crianças finalmente eram deixadas um pouco livres da propaganda comunista, mas mesmo nessas três edições por ano, aqui e ali, eram plantadas as mitologias soviéticas, embora não nas primeiras páginas, mas mais para o fim da revista. Não se podia deixar a propaganda comunista nem que seja por um momento, senão após três meses de férias de verão voltaria à escola um elemento anti-soviético e dissidente, esquecendo em que grande país ele vive.
PLANO QUINQUENAL

“Os planos do nosso país são de cinco anos. E por que não de dois anos, por exemplo? O plano quinquenal é a palma da mão anual. Muita coisa conseguirás pegar com os dois dedinhos? Mas com a palma da mão se constroem as cidades!”

Palavras de ordem merecedores da comédia stand-up. E vocês ainda ficam admirados porque os cidadãos com a formação soviética de qualidade corriam à TV para “carregar” os frascos de água.

08. Um tesourinho. “Caro outubrista, vamos resolver uma conta. A conta não é simples, mas solene. De 1977 subtraímos 1917. Quanto são? 60. Agora, estamos em 1977. E em 1917 foi realizada a Grande Revolução socialista de outubro. Assim, durante os 60 anos, o nosso povo vive sob o poder soviético!”
Quase a tática das seitas que perguntam na rua quantos anos você tem, para depois dizer: “então você nasceu em 1970, eu adivinhei? Então você simplesmente tem que acreditar em deus Brahma e comprar este livro!”

09. Imediatamente após as férias de verão, os outubristas e pioneiros eram indoutrinados com uma nova força, desde as primeiras páginas da revista de setembro, afirmando que “VOCÊS VIVEM EM UM PAÍS MARAVILHOSO!” Você esqueceu a aldeia da avó, o seu fogão velhinho e as idas ao banheiro de madeira na rua? Vamos te recordar!
“Em tempos, Lenine era apenas Volodya Ulyanov, o seu par. Nos seus cadernos estavam apenas as notas máximas. Ele era talentoso e, claro, um menino aplicado. Mas ao mesmo tempo engraçado, brincalhão, risonho. Como ele gostava de jogar em gorodki. Que jogador de xadrez ele era!”

10. No outono, a principal data solene era no dia 7 de novembro, mas, pelo caminho era necessário inventar alguma parábola de teor pseudo-religioso, de modo que as crianças não relaxassem. Por exemplo – contar sobre o aniversário do Komsomol. “Um bom filho sempre e em tudo ajuda ao seu pai que lhe ensinou boas ações, e o Komsomol sempre está junto ao partido”.

11. Bem, o feriado principal já se aproxima. Do 60º aniversário da “Grande Revolução de Outubro”, a propósito, começaram falar um ou dois anos antes para que as crianças tenham tempo de ficarem prontas. A data redonda é apenas no próximo ano? Não importa, também usaremos o 59º aniversário.
“Todos os nossos feriados são bons. E o principal entre eles – o Grande Outubro, a festa da vitória dos trabalhadores e camponeses na Rússia sobre os capitalistas latifundiários. Milhares e milhares de anos, as pessoas vivem na terra. Durante este tempo houve muitas revoltas dos pobres contra os ricos e só em 1917, na Grande revolução socialista de Outubro os trabalhadores acabaram para sempre com o poder dos ricos no nosso país”.

Substitua o “Grande Outubro” no texto por algum brahma, e você receberá exatamente o mesmo modelo habitual de processamento de “rebanho” setário.

12. Aproxima-se o fim do ano. Tomem então: OUTUBRISTAS – SÃO PESSOAS DO FUTURO! GLÓRIA À NOSSA CONSTITUIÇÃO SOVIÉTICA!

13. Novembro está acabando, o Ano Novo está se aproximando. Como não contar sobre outra data importante? Os contos de fada da Constituição soviética são obrigatórios às crianças:

14. Chegou o Ano Novo, hurra! O que, pequeno outubrista, queres ler sobre coelhinhos e ursinhos? Quieto, ai! EM FEVEREIRO EM MOSCOVO DECORRERÁ O 25º CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA DA UNIÃO SOVIÉTICA, COM OS CUIDADOS DO LENINE ÀS PESSOAS, DESENVOLVENDO OS PLANOS DE NOSSA VIDA PARA O FUTURO.
FELIZ ANO NOVO, PEQUENO TRABALHADOR DO PAÍS SOVIÉTICO

15. Não queres ler sobre o Congresso? Nós te lembraremos disso no futuro, mas por enquanto podes ler como Lenine, não poupando os esforços, desenhava o brasão da URSS. Você talvez nem sabia!

16. Mas esperas aí, como você não quer saber nada sobre o Congresso? Não pode ser! Leia rapidamente. Ok, no primeiro parágrafo, escreveremos algo sobre os coelhos e os flocos de neve, MAS DEPOIS SOBRE O CONGRESSO.

17. No inverno, ainda vais ler sobre o querido camarada Brejnev. Vais? Vais sim.

18. E aqui está o mês de fevereiro no horizonte, logo começa a primavera. No entanto, não é sobre a primavera que vamos falar às crianças, quando há coisas muito mais importantes: “O MEU E SEU PLANO QUINQUENAL”:

19. Sabem nas escolas todos os meninos...
Capa da revista de fevereiro de 1976
“SABEM NAS ESCOLAS TODOS OS MENINOS, QUE NA CAPITAL EM FEVEREIRO, SE REUNIRÁ NO KREMLIN O NOSSO 25º CONGRESSO PARTIDÁRIO”.

20. “Todos os anos tem seus próprios sinais memoráveis. Hoje, perguntem ao qualquer pioneiro, outubrista: “Qual foi o evento mais importante no ano passado?” A resposta é única: “VIGÉSIMO SEXTO CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA DA UNIÃO SOVIÉTICA”. Você pensou que te vamos perguntar sobre o seu cachorro ou sobre as férias de verão, nê?
Como podem ver, a propaganda na URSS era total e atacava as crianças não só na escola, mas em casa, nas “revistas de desenvolvimento” infantis. Tais revistas e tal “lavagem cerebral” eram possíveis apenas em um país fechado que quebrou todos os laços com o mundo civilizado e são praticamente impossíveis de realizar na sociedade moderna da informação. “Retornar à URSS”, de acordo com o clássico, é “um retorno aos idiotas”.

E vocês, leitores do nosso blogue, gostariam de ver os seus filhos indoutrinados dessa maneira?

Imagens @Murzilka | Texto Maxim Mirovich

sexta-feira, outubro 20, 2017

Ucrânia abre o seu Consulado Honorário na cidade de Maputo

Ucrânia abriu o Consulado Honorário na cidade de Maputo, a sua primeira representação diplomática em Moçambique desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, formalizado em Nova Iorque em 19.08.1993.
Cônsul Honorário da Ucrânia em Maputo Sr. Abílio L. Soeiro. Foto @Roman Danylych
Cônsul Honorário da Ucrânia em Maputo Sr. Abílio L. Soeiro (à direita),
Lola Soeiro e um dos convidados. Foto @Roman Danylych
Encarregada de Negócios da Ucrânia na República da África do Sul,
Sra. Liubov Abravitova e um dos convidados. Foto @Roman Danylych.
MAPUTO: 20 de Outubro de 2017 – no dia 20 de Outubro de 2017, na cidade de Maputo, no recinto do Hotel Glória decorreu a inauguração do Consulado Honorário da  Ucrânia em Maputo. A cerimónia de abertura contou com a presença da Encarregada de Negócios da Ucrânia na República da África do Sul, Sra. Liubov Abravitova; Cônsul da Ucrânia na República da África do Sul, Sr. Oleksandr Yurkin; Cônsul Honorário da Ucrânia em Maputo Sr. Abílio L. Soeiro; o vice-chefe do Departamento da América e Europa do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique; representantes do MNE, da comunidade empresarial e da Diáspora ucraniana de Moçambique.
Serviços do bar, protocolo e elementos do design. Fotos @Roman Danylych
As relações entre Moçambique e Ucrânia datam de longa data, ainda antes da proclamação da independência política de ambos os países. Nos meados da década de 1960, os primeiros estudantes moçambicanos foram acolhidos em diversas instituições de ensino superior da Ucrânia; em Kyiv, Kharkiv, Odessa, Lviv ou Donetsk. Calcula-se em alguns milhares o número dos estudantes moçambicanos que foram formados na Ucrânia em diversas áreas do conhecimento, mas principalmente em medicina, engenharia, recursos minerais, economia e finanças, defesa, entre outras.
A abertura do Consulado Honorário da Ucrânia em Maputo é um indicador seguro do interesse da Ucrânia em Moçambique e no desenvolvimento e fomento de uma maior cooperação entre os dois países.
Convidados, diplomatas acreditados em Maputo. Fotos @Roman Danylych
Cônsul Honorário da Ucrânia em Maputo, Abílio L. Soeiro manifestou o agradecimento pela honra que lhe foi concedida, prometendo que fará todos os esforços para desenvolver uma cooperação eficaz entre a Moçambique e Ucrânia em todas as áreas da vida política, empresarial, cultural e artística.
Momento cultural. Foto @Roman Danylych
É de notar que notar que o Cônsul Honorário da Ucrânia em Maputo, Abílio L. Soeiro recebeu a patente do Cônsul Honorário da Ucrânia no último dia 13 de Setembro em Pretória, numa cerimónia solene, organizada pela Embaixada da Ucrânia na República da África do Sul por ocasião do 26º aniversário da proclamação da independência nacional da Ucrânia.
Cônsul Honorário da Ucrânia em Maputo Sr. Abílio L. Soeiro e Encarregada de Negócios da Ucrânia
na República da África do Sul, Sra. Liubov Abravitova. Foto arquivo @Abílio L. Soeiro
O Consulado Honorário da Ucrânia em Maputo abrirá as suas portas ao público no dia 23 de Outubro de 2017 (segunda-feira) na Av. Armando Tivane № 1554. Entre os seus planos imediatos é atendimento dos cidadãos moçambicanos e ucranianos, acompanhamento das delegações governamentais e empresariais dos dois países, organização de eventos artísticos e amostras documentais, dedicados aos vários aspectos da vida cultural, sociopolítica e económica da Ucrânia.