quinta-feira, julho 20, 2017

Exposição Fotográfica «Promka» em Lisboa

Nos dias 24 de julho à 4 de agosto no Palácio da Independência, no Largo São Domingos № 11 em Lisboa decorrerá a exposição fotográfica «PROMKA»: a série de fotos tiradas na região mais perigosa da linha da frente na guerra na Ucrânia, na zona industrial da cidade de Avdiivka.
A exposição inclui 30 fotos a preto-e-branco e cerca de 20 retratos dos combatentes, tirados com a câmara fotográfica do tipo Polaroid. A mensagem principal desta exposição é mostrar as circunstâncias em que os militares ucranianos protegem não só a Ucrânia, mas a toda a fronteira leste da Europa. O projeto fotográfico «PROMKA» já foi exibido em várias capitais europeias, nomeadamente Genebra, Zurique, Munique e Varsóvia, no futuro próximo será levado ao Reino Unido e aos EUA.
A exposição será exibida por iniciativa dos jovens ucranianos que estudam e trabalham em Portugal e com o apoio de Embaixada da Ucrânia em Portugal. Durante a exibição está planeado o diálogo dos visitantes com o autor das fotografias, o fotógrafo de guerra ucraniano Lesko Kromplitz.
Fotos da exposição anteriormente exibida no Porto

O shopping que se tornou a cadeia dos prisioneiros políticos da Venezuela

O El Helicoide, em Caracas, foi desenhado para ser o primeiro centro comercial do mundo, aberto à circulação automóvel (“drive-through”), mas acabou por transformar-se numa prisão dos prisioneiros políticos do regime bolivariano da Venezuela.
Entre as barracas do Bairro de San Agustín, na capital da Venezuela, destaca-se um edifício de aspeto espacial, que foi desenhado pelo estúdio de arquitectura Arquitectura y Urbanismo C.A., de responsabilidade do arquiteto Jorge Romero Gutiérrez, inspirado na Torre de Babel e no planetário proposto por Frank Lloyd Wright’s, o Gordon Strong Automobile Objective.
Centro comercial no projeto arquitetónico
A história deste estranho edifício – cujos planos de construção previam 320 lojas e dois elevadores, bem como rampas de duas faixas é descrita num livro publicado pelas historiadoras Celeste Olalquiaga e Lisa Blackmore, “Downward Spiral: El Helicoide’s Descent from Mall to Prison” (“Espiral Descendente: A Passagem do El Helicoide de Centro Comercial a Prisão”, em tradução livre).
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As obras iniciaram-se, em 1956, numa altura em que a companhia petrolífera estatal da Venezuela, apoiada pelo Governo da época, apresentou ganhos significativos, relativos à venda de petróleo aos aliados da Segunda Guerra Mundial.
No shopping planeava-se construir um stand de venda de carros e peças de reposição, posto de gasolina e de lavagem de carros, além da oficina de reparações. Supunha-se que El Helicóide ia se tornar o pioneiro no uso de elevadores, o que iriam se mover entre os níveis do centro sob um ângulo. Além disso, ao dispor dos visitantes deveriam estar as salas de exposições, ginásio, piscina, pista de bowling, um parque infantil e um cinema com sete salas. Uma estação própria de radio iria transmitir os anúncios de eventos e ofertas especiais.
E o valor do projeto foi então reconhecido um pouco por todo o mundo. O poeta Pablo Neruda, segundo conta o Business Insider citado pelo Jornal Económico, chegou mesmo a chamar-lhe “uma das criações mais refinadas a sair da mente de um arquiteto”. Salvador Dali queria que seu trabalho seja exibido no Centro, que prometia ser o mais moderno espaço comercial da década 1950. 
Apesar da informação circulante, o projeto foi apenas começado em outubro de 1958, já depois do colapso do regime do general Pérez Jiménez. O chefe da junta militar provisória, almirante Wolfgang Larrazábal deu o seu aval ao arranque da construção, desde que empregue o maior número dos trabalhadores desempregados, a parte do plano nacional de reconstrução. Durante próximos 1,5 anos, cerca de 1.500 trabalhadores, divididos em três turnos laboravam na construção do projeto. Cuja concepção continuou a recolher os aplausos no exterior. O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque realizou uma exposição intitulada “Roads”, que enfatizou a integração da arquitectura do El Helicóide no design da estrada – um aspeto inédito até a época. Até que em 1961 os trabalhos da construção pararam completamente.
Votado ao abandono, tornou-se propriedade do Governo em 1976,  tendo também sido utilizado, entre 1979 e 1982, para albergar cerca de 500 famílias desalojadas, que habitavam nos contentores colocados dentro do edifício. Os desalojados viviam em terríveis condições insalubres, no edifício prosperava o tráfico de drogas e funcionavam os diversos bordéis. O assentamento foi liquidado em 1982.
Em 1993 surgiu a ideia de transformar o complexo no Centro do meio ambiente de Venezuela. O arquiteto Dirk Bornhorst escreveu que os arquitetos Julio Coll and Jorge Castillo subiram ao topo da La Roca Tarpeya e durante a meditação “contactaram” com os espíritos dos índios do vale de Caracas. Então, foi lhes “revelado” que no local o centro comercial no passado estava localizado um cemitério tribal. Foi decidido transformar El Helicóide em um centro ambiental, uma forma de pedir as desculpas aos espíritos dos antepassados.
Mas o sonho de criação do Centro de Meio Ambiente não se tornou realidade. Em 1984 o novo governo do presidente Rafael Caldera decidiu usar o edifício como o quartel-general da Dirección de los Servicios de Inteligencia y Prevención (DISIP). Presidente Hugo Chávez manteve o serviço, apenas o rebatizando de Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional (SEBIN), mandando colocar no edifício o Centro de formação dos futuros funcionários dos serviços especiais. Lugar esquecido, El Helicoide, era bastante adequado para alojar os serviços secretos.
SEBIN tomou conta do edifício e o transformou numa prisão para presos políticos, atividade que mantém até hoje. Durante muito tempo, os funcionários da secreta bolivariana ficavam alegres por poderem chegar de carro diretamente aos seus gabinetes, imitando o lendário James Bond. O regime proibia tirar fotos do edifício à partir de qualquer ponto da cidade, quem desobedecia, poderia ser detido pela polícia.
O lugar que na década de 1950 e 1960 deveria se tornar um símbolo do livre comércio, se transformou em uma prisão dos presos políticos.
Atualmente, existem pelo menos 340 prisioneiros políticos naquele edifício, incluindo estudantes que recentemente participaram nos protestos anti-Maduro. E há relatos de antigos prisioneiros que falam de terrores que acontecem no El Helicoide: choques elétricos, espancamentos e enforcamentos por largos períodos de tempo.
Rosmit Mantilla (1982) passou em El Helicóide dois anos, seis meses e oito dias. As forças de segurança o prenderam em 2 maio de 2014 e mandaram à prisão, sob acusação de ligação, nunca provada, às provocações durante as manifestações antigovernamentais daquele ano.
“Todo este tempo eu estava na cela, chamada de “pequeno inferno” – conta Montilla, um funcionário do estado de Táchira e membro do partido de oposição Voluntad Popular. – Na cela 3 x 5 metros estavam detidas 22 pessoas. Nós comíamos lá, dormíamos ali, tomávamos o banhado lá. Nós fomos torturados pela luz ofuscante branca”.
Como explica Montilla, o edifício é gradualmente reconstruído para abrigar mais prisioneiros: “No princípio havia apenas três celas. O resto do espaço era ocupado pela administração. Com o tempo, as instalações administrativas foram convertidas em celas de tortura e outro no qual os prisioneiros foram espancados com choques elétricos ou penduradas para obriga-los à falar”.
No relatório da organização de direitos humanos Foro Penal, intitulado “As repressões do governo venezuelano de janeiro de 2014 à junho de 2016”, são descritos 145 casos de tortura e tratamento desumano de prisioneiros, na maioria dos casos por parte dos funcionários de SEBIN e dos militares da Guarda Nacional da Venezuela.
Fonte @Tropical Babel (em inglês)

Coreia do Norte: a viagem ao zoo comunista (26 fotos)

O youtuber russo Pyotr Lovigin voltou vivo da Coreia do Norte e conta as suas experiências no país do “ditador gordinho com um penteado legal” em três reportagens fotográficas e também em vídeo.
RPDC é imaginada por maioria de pessoas como um estado militarizado cinzento, onde todas as pessoas marcham em filas, onde cada segundo cidadão está preso nos campos de concentração e o país é governado por um herdeiro trintão de uma dinastia que está no poder há 70 anos. Pai, Filho e Espírito Santo. Kim Jong-un, Kim Jong-il e Kim Il Sung.
O que é possível dizer? ...Apenas que os norte-coreanos realmente marcham em filas!!! Foi a primeira coisa que vi pela janela: um grupo de trabalhadores do aeroporto estava marchar até o local de reboque da aeronave. Um par de vezes nos também tínhamos que marchar.
Ainda no avião recebemos as publicações propagandistas com a seguinte passagem: “Lágrimas correram pelas bochechas dos trabalhadores da Grande Coreia no momento da aparência do Amável chefe do partido no estádio”.

Estamos em Pyongyang. No controlo aduaneiro me tiraram todos o flash-drives, mas não verificaram nenhum. Ainda bem que tirei da carteira as fotos de natureza erótica. São proibidas de entrar na Coreia do Norte.
Verificação dos bens, carimbo, um par de perguntas em russo e encontramo-nos sob os cuidados do nosso guia Song Hwa e o “major”, representante dos serviços secretos. O chekista e guia vão nos seguir incansavelmente durante toda a estadia no país. À um estrangeiro é proibido para deixar o hotel sozinho, caminhar na cidade, fazer os pagamentos em moeda local.

As pessoas com experiência na RPDC aconselharam levar os presentes do continente: uísque, perfumes, cigarros. Dessas pessoas depende da forma como o turista verá o país.

O mais legal foi o motorista. Ele falava apenas em coreano, mas as suas emoções já eram suficientes. Este foi o norte-coreano mais positivo da Coreia do Norte, dos que foram vistos por mim.
O programa da estadia não permitia muitas as liberdades. No primeiro dia foi programada a visita à Biblioteca, Memorial dos soldados soviéticos, Museu da guerra e lojas de souvenirs. Tedioso, hein? O nome do grande líder estava metido em cada ponto da visita.

Lojas de souvenirs – éramos levados para lá diariamente e não compramos nada. Bem, porque a oferta é uma porcaria.
Na cidade, o autocarro/ônibus turístico circula em grande velocidade – de modo que não tivemos tempo para fotografar nada. No entanto, é permitido fotografar apenas aquilo que é permitido. É proibido fotografar os militares, e qualquer objeto minimalmente relacionado com a defesa. Isso é difícil – porque os militares estão em toda a parte. Entre a multidão, no metro, nas repartições, em toda parte!
Quem precisa de todos esses memoriais, monumentos e outro porra de propaganda comunista?! Mas ninguém pergunta se isso nos interessa ou não. A Coreia do Norte vive no seu próprio mundo e quem quer voltar vivo tem que respeitar as suas regras.

A impressão inicial de Pyongyang é de ser a cópia da URSS da década de 1950, como se as filmagens daquela época fossem pintadas no tom de óculos de sol.
A Biblioteca Nacional foi construída em 21 meses. Mas na ausência de Internet no país, ela ficou no século XX. A pergunta “Qual é a frequência com que são atualizados os livros sobre os computadores?” colocou a nossa guia no primeiro impasse.
A nossa atenção chamou o livro “Anedotas” de autoria de Kim Il-Sung.

 Ele escrevia as anedotas? – perguntamos – suposto de ser engraçadas?..
 Não, não foi ele... Isso é, ele, mas não as anedotas.
 Mas está escrito “Anedotas”. São engraçadas?
 Não é engraçado.
 Mas são anedotas, entende-se que devem ser engraçadas...!
Menina bibliotecária começou à ficar confusa no seu depoimento e decidiu acabar com a conversa com esta frase: “Este é um livro muito bom”.

Claro, mesmo se não for engraçado, ninguém quer ir ao GULAG!
Na biblioteca entramos no elevador. Nele permanentemente está uma menina (foto abaixo), que pressiona os botões. Perguntamos:
 É o seu trabalho: apenas pressionar os botões do elevador?
Os guias dizem:
 Sim... (a pausa de alguns segundos)... Mas em geral, ela também canta.

Entramos no hotel. Este é um dos edifícios mais altos da cidade. O mesmo hotel onde foi roubado o malfadado cartaz que custou a vida do estudante norte-americano Otto Warmbier.

Vieram umas mulheres...
por acaso, não é uma piada. De acordo com rumores, todos os quartos estão equipados com escutas. Mas isso não nos impede de falar sobre o sistema existente. Pessoalmente, acredito que países como a Coreia do Norte devem existir na Terra. Com eles a vida é mais interessante [os zoos comunistas realmente são importantes e didáticos para mostrar “como não se deve viver”, pena que isso não inibe as pessoas de querer experimentar um pouco de comunismo].

À noite, sentamos com os guias norte-coreanos, discutindo os planos futuros. Escolhemos circo, carreira do tiro, cervejaria, metro e o Museu das prendas do grande líder Kim Il Sung... Não há muita escolha. Os coreanos conseguiram nos levar ao Museu de flores, onde cada flor tem o nome dos Grandes líderes e chefes.
Na cave do hotel existe ping-pong, bilhar, karaoke e uma piscina. Cada prazer vale 3 euros por hora. Como bónus existe a possibilidade de se comunicar com a coreana entediada atrás do balcão.
Máquinas do ginásio escondidas atrás das flores.

Os norte-coreanos têm uma fixação especial na guerra com a Coreia do Sul e com os EUA em meados do século passado. Eles se recusam categoricamente a dizer o número das suas baixas, mas constantemente dizem o número de imperialistas mortos e capturados. Se vangloriam da sua generosidade, dizendo que todos foram libertados após um pedido de desculpas. No entanto, o orgulho especial é captura do navio americano Pueblo, localizado ao lado do museu.
O Museu de prendas é realmente luxuoso. Apenas não é permitido tirar as fotos. Há corvos bicando soldados americanos mortos, uma estátua de cera de Kim Il Sung, o panorama giratório de toda a guerra coreana. O chefe do estado marechal Kim Jong-un supervisionou pessoalmente a construção deste museu.
À minha pergunta “Você viu marechal Kim Jong-un ao vivo?” a donzela delicada vestida no estilo militar (foto em cima) respondeu:
- Não, mas é o meu sonho!
A propósito, de todas as pessoas que perguntei – ninguém viu Kim Jong-un ao vivo. Estou começando à duvidar de sua existência.
As mulheres de azul. Assim que eu peguei a câmara – então apareceu a responsável do grupo e alertou todas as participantes que na presença dos estrangeiros não podem falhar!!
São donas de casa simples que de livre e espontânea pressão se juntam em tais conjuntos que são usados para chamar as pessoas ao trabalho.
E é tudo por hoje. Na próxima edição vamos ao Palácio dos Pioneiros e comeremos o cão/cachorro.

Foto e texto @Pyotr Lovigin