sábado, agosto 19, 2017

A Donetsk moribunda no verão de 2017 (17 fotos)

A cidade de Donetsk, após 3,5 anos de ocupação russo-terrorista continua ser um local perigoso aos jornalistas. Qualquer pessoa que tira as fotos em público pode ser acusada de ser um “espião”. As fotos que se seguem foram tiradas pelos moradores locais, podem não ter a qualidade das imagens profissionais, mas mostram a vida real na cidade ocupada.

02. O estádio “Donbas-arena” — foi construído para receber os jogos do Euro-2012, os seus arredores eram o local preferido de descanso dos moradores da cidade e dos turistas estrangeiros.
A sua aparência atual: os bancos modernos e bonitos foram abandonados e parcialmente destruídos.

03. A relva daninha ataca os passeios, sem nenhum cuidado dos responsáveis.

04. A natureza ataca a obra humana.

05. As lagoas artificiais são cobertas de algas, o musgo ataca os parapeitos.

06. A relva/grama avança aos canteiros de flores, mais cinco anos e o local poderá se parecer com Pripyat.

07. Os pinheiros decorativos nos vasos, secaram quase todos.

08. Árvores maiores nos arredores do estádio também secaram — ninguém cuida delas.

09. As letras agora servem para escrever e colocar algumas mensagens.

10. As bilheteiras do estádio deixaram de funcionar em 2014. Os terroristas da dita “dnr” levaram tudo o que poderia ser roubado do interior do estádio. Assim decorreu, a chamada “nacionalização” do “Donbass-Arena”, realizada definitivamente em fevereiro de 2017.

11. O centro comercial “Cisne Branco”, localizado na avenida principal da Donetsk – rua Artem. No passado a vida fervilhava aqui, o parque de estacionamento estava cheio de viaturas. Agora, o shopping está vazio, não há ninguém ao seu redor. O nome do complexo está gradualmente perdendo as letras, o mesmo processo que também aconteceu em Pripyat.

12. As ruas vazias, no fundo um prédio abandonado. Sem operários, nem as máquinas de construção. Dificilmente alguém irá querer acabar a obra, sob o regime de ocupação.

13. O supermercado “Boom” na rua central, também abandonado. Era o primeiro supermercado real da cidade, inaugurado em 2003, completamente abandonado agora.

14. O monumento semidestruído da moeda ucraniana – UAH. A obra foi vandalizada para “castigar os fascistas”, os ocupantes queriam o transformar no monumento ao rublo russo, mas alguma coisa “não deu certo” e tudo ficou como está.

15. Os arredores do aeroporto de Donetsk, onde em 2014-2015 as forças ucranianas (conhecidas como ciborgues) por 242 dias defenderam o local contra os ataques constantes das forças russo-terroristas.

16. Os edifícios nos arredores do aeroporto.

17. Dentro de um dos prédios, os restos de um apartamento.

15. Os corredores dos apartamentos.

Curiosamente, os edifícios abandonados na parte central de Donetsk não sofreram nenhuma hostilidade militar, mas foram abandonados por causa da inoportunidade de qualquer atividade económica na autoproclamada dita “república popular de Donetsk”. E a situação económica apenas continuará a deteriorar-se...

As fotos da cidade foram publicadas pelo blogueiro ucraniano Denis Kazansky, as fotos do aeroporto foram publicadas pelo blogueiro ucraniano Daniel Rodriguez. Texto é do Maxim Mirovich

sexta-feira, agosto 18, 2017

Ucrânia ao estilo mangá

O mangaká japonês msc nm dedica muito do seu tempo e criatividade à Ucrânia. A atual guerra russo-ucraniana no leste da Ucrânia é a sua inspiração constante.
Comprar a sua BD/quadradinhos “Defensores da Pátria” (volume 1; 2; 3 e 4). 

quinta-feira, agosto 10, 2017

Quem vivia bem na URSS? (8 fotos)

Diversos leitores do nosso blogue acreditam que a vida na URSS era razoavelmente boa e não percebem de onde aparecem as fotos soviéticas das prateleiras vazias e enormíssimas filas para comprar as coisas mais básicas, assim como as imagens dos cidadãos soviéticos mal vestidos e de fisionomias tristonhas, alguns até acreditam que as fotos foram feitas já nas décadas de 1990-2000.
Na realidade, a União Soviética era um país de fortes desigualdades e estratificação social. E a separação entre ricos e pobres, era mais forte do que na Rússia czarista antes da 1917. Cerca de 5-10% dos cidadãos soviéticos realmente viviam muito bem. Ao contrário do resto dos seus concidadãos, este restrito grupo vivia em apartamentos espaçosos, comprava os alimentos (até mesmo ocidentais) nas lojas de acesso restrito, tinha casas de campo bem apetrechados e as oportunidades de viajar ao estrangeiro. Hoje, eles (ou os seus filhos) defendem o passado soviético com “as unhas e dentes”, realmente não entendendo como e por que as pessoas comuns não gostam da União Soviética.

01. A elite comunista soviética. Na verdade, a “divisão de classes”, contra o qual supostamente lutaram os bolcheviques, não desapareceu após a revolução comunista de 1917, o lugar da “velha nobreza” simplesmente foi ocupado pela “nova classe dominante”. Eles também desfrutavam de todos os benefícios da civilização, olhando, com desprezo, ao resto do seu próprio “povão operário e camponês”.
As histórias sobre a vida chique e abastada na União Soviética – são inteiramente derivadas da vida da nomenclatura partidária soviética que realmente viveu sob o comunismo – recebiam os salários altos, foram lhes atribuídos bons e espaçosos apartamentos (muitas vezes com os serventes), situados em bons bairros, lhes eram permitidas as viagem ao exterior, eles faziam compras nas lojas especiais com uma vasta gama de bens importados – nestas lojas a nomenclatura soviética fazia compras usando os assim chamados “cheques de VneshPosylTorg”, indisponíveis aos cidadãos soviéticos comuns.

02. As pessoas que tinham acesso à distribuição de recursos. Esta parte da população não pertencia à nomenclatura do partido (muitas vezes eles podiam nem sequer serem membros do PC), mas tinham o acesso ao sistema soviético de distribuição – trabalhavam no sistema de distribuição dos apartamento “gratuitos”, eram diretores de armazéns ou de lojas. Eles recebiam os subornos para resolver certas questões – para que alguém pudesse receber / enviar / vender alguma mercadoria em deficit.
À mesma casta pertenciam as lideranças completamente podres e corrupaos das universidades soviéticas – reitores e decanos que muitas vezes aceitavam os subornos para admissão de candidatos. Na URSS não se praticava o sistema centralizado dos testes e como tal, favorecer um aluno “certo”, chumbando o “indesejado”, era muitíssimo simples.

Ao mesmo grupo pertenciam as chefias médicas – também muitas vezes por dinheiro “resolviam os problemas” com o tratamento extraordinário de um paciente. Em geral – na URSS viviam bem todos aqueles que eram responsáveis pela distribuição de um determinado recurso.

03. Os empresários clandestinos e criminosos. Na URSS existiam setores inteiros da chamada “economia paralela”. Alguns dos seus esquemas até hoje são considerados crime (por exemplo, o roubo de combustível em grande quantidade), outros, de facto, eram uma espécie de empreendedores – por exemplo, ativos na produção clandestina de calças jeans. Empreendedorismo na URSS foi proibido por lei, e até ao 1987, os empresários clandestinos arriscavam a sua liberdade e os bens.
Essas pessoas realmente tinham um rendimento muito superior à média soviética – digamos, 5.000-10.000 rublos (8.475 – 16.950 dólares ao câmbio oficial da época) mensais, contra o salário médio de 120 rublos (203 rublos), mas com um grande risco de ser apanhado pela OBHSS (departamento de investigação de crimes económicos na URSS), as vezes graças à simples denúncia dos “vizinhos vigilantes”. Após o colapso da URSS, muitos destes empresários começaram os negócios legais, tornaram-se bem-sucedidos e outros não conseguiram se adaptar às novas realidades da concorrência e do mercado, melancolicamente lembrando os “bons velhos tempos” em que estavam vendendo por 200 rublos os jeans com um custo de produção de apenas 10 rublos.

04. Bons profissionais em más empresas. Muitas vezes, as pessoas na União Soviética trabalhavam sob o princípio “eu finjo que trabalho – o Estado finge que me paga”, portanto, os bons especialistas que faziam o seu trabalho com a qualidade estavam em grande demanda. Um bom dentista, um bom canalizador/encanador, mesmo um simples serralheiro poderiam viver na União Soviética bastante melhor do que os seus colegas “regulares” – os primeiros eram passados ​“"de mão em mão”, recebiam as encomendas, trabalhos e presentes.
No entanto, em contraste com a nomenclatura, distribuidores do deficite e empresários clandestinos, este, era o grupo mais pobre dos “soviéticos que viviam bem” – o seu rendimento era de apenas 2-3 vezes superior ao salário médio soviético.

05. Militares, físicos, os profissionais de profissões raras. Relativamente bem na URSS viviam os militares do alto escalão, de cientistas (físicos, químicos, etc.) pertencentes à elite da sua ciência e todos os tipos de especialistas raros, como os operadores de centrais nucleares e pilotos da aviação civil. No entanto, a “boa” vida dos cidadãos acima citados era real apenas em comparação com a pobreza soviética geral, e era muito pobre em comparação com a vida de especialistas similares no Ocidente.

06. Alguns cantores, escritores, poetas, apresentadores, a elite de artistas de cinema, circo e balé, a elite da imprensa soviética (editores e principalmente os correspondentes nos países ocidentais, que muitas vezes eram agentes ou informadores do KGB). Estas pessoas tinham acesso às facilidades e serviços disponíveis, numa medida igual ou ligeiramente inferior, aos altos quadros de nomenclatura soviética. O regime soviético considerava que as pessoas que se dedicavam à propaganda profissional do comunismo, deveriam sentir os benefícios reais do seu esforço. O mesmo já não era inteiramente igual em relação aos simpatizantes soviéticos no estrangeiro. Muitas vezes estes eram usados “as cegas” sem nenhum ou quase nenhum estímulo financeiro.
Propaganda televisiva soviética em exaltação do regime comunista cubano, 1962

Todos os grupos listados realmente viviam na URSS muito bem, enquanto os restantes 95-90% da população tinha a existência bastante pobre, vivendo do salário mensal de 120 rublos, e muitas vezes incapaz de comprar os itens mais básicas e necessários.

Fotos @GettyImages | Texto @Maxim Mirovich e (06) @Ucrânia em África

quarta-feira, agosto 09, 2017

Abecásia: o resultado real da política separatista (8 fotos)

Abecásia, o território ocupado da Geórgia e sob controlo, de facto, dos separatistas armados desde o fim da guerra de 1992-1993, que arruinou a economia local e matou milhares de civis, sobrevive, desde então, graças ao financiamento russo. 
A praça central da cidade de Sukhumi
A marina de Sukhumi
As avenidas da cidade de Sukhumi
... e as casas nos seus arredores
No dia 8 de agosto de 2017, no 9º aniversário da guerra russo-georgiana, o território da Abecásia foi visitado pelo presidente russo em funções. Um dos temas fulcrais das negociações com os separatistas locais era a questão de alocação da ajuda financeira no valor de 1 bilião de rublos (cerca de 16.666.666 dólares).
Os caminhos-de-ferro da "república"
O aeroporto de Sukhumi
O shopping (?) | o restaurante (?)
O hotel
Desde o reconhecimento formal da Abecásia pela Rússia em 2008 (além disso, o território separatista é reconhecido como “independente” pela Venezuela, Nicarágua e Nauru), o financiamento russo do território ocupado já chegou aos quase 37 biliões de rublos (cerca de 616 milhões de dólares, tendo em conta que o terrotório da Abecásia é de apenas 8432 km²; com a população “oficial” de 242.862 habitantes em 2012; 2/3 dos quais, acredita-se que na realidade vivem e trabalham na Rússia). Abecásia, outrora um território tropical muito bonito, após a limpeza étnica e expulsão de quase metade da sua população (cerca de 250.000 pessoas, na sua maioria georgianos), está em ruína desde 1993. Os financiamentos russos, ano após ano, servem para enriquecer a elite separatista local e os seus curadores russos (fonte).

terça-feira, agosto 08, 2017

O quadro refrescante na cidade de Mykolaiv

O Serviço Estatal de Situações de Emergência (DSNS) da Ucrânia montou um “quadro refrescante” numa das ruas da cidade de Mykolaiv. Atualmente Ucrânia sofre das altas temperaturas (e de alguns incêndios florestais). O quadro permite aos cidadãos se refrescar, evitando o calor e a insolação, a grande vantagem do projeto é a sua mobilidade, o “quadro” pode ser facilmente montado e deslocado para qualquer lugar necessário.